23 novembro 2025

 Um dos meus ultimos vicios eh o Lego, ando preferindo o Lego aos games digitais, parece mais fahcil focar nos blocos do que nas telas, em meio as agitacoes do cotidiano.

21 fevereiro 2025

 Uma das melhores coisas nessa vida são as compras por impulso.Eh tão bom se deixar levar pelo espírito do capitalismo chegar numa prateleira e comprar aquilo q eu não preciso com o dinheiro q eu não tenho, pela satisfação de um prazer momentâneo. O pobre vai cada mínimo detalhe da sua compra, observar cada pequeno detalhe para garantir a máxima otimização do seu prazer e dos seus poucos recursos,enquanto alguns só querem se entregar e se deixar levar pelo espírito demoníaco do consumismo. No fim vc nem está no controle das próprias vontades, eh apenas uma peça na engrenagem capitalista cuja função eh consumir.  Aquele que vende a força de trabalho ganha em troca um mínimo controle sobre si próprio na máquina capitalista, mas os possuidores do capital esses só se entregam aos prazeres do espírito demoníaco do capitalismo.

15 fevereiro 2025

 We are all living in the madnes of somebody .Somebody that got people to live its madness. Back in the old days you would get then from wild train then to do stuff,now you have to pay them.Money gives the ilusion of freedom, but it ain't about money, its all about to have them living the madness.

03 fevereiro 2022

O desenvolvimento de instituições inclusivas e o militarismo

Eu tava recentemente lendo uma discussão sobre estruturas sociais inclusivas, era esse artigo aqui, nem precisa ler tudo só o que importa mesmo é a parte de Veneza é especial a dinâmica sobre os contratos de comenda, e como isso traz novos nomes pra burguesia de Veneza no período.

O ponto chave é que você tem uma dinâmica com poucas barreiras de entrada, que traz muita gente pra dentro. Ai trazendo a discussão pro Brasil você vê dois canais políticos pra criar essas instituições inclusivas: a esquerda tenta fazer a universidade ser essa instituição inclusiva, a direita joga isso no militarismo.

E pra mim cada vez mais o militarismo parece um canal melhor pra construir essa dinâmica de instituição inclusiva.

Tanto as instituições militares quanto a universidade são instituições muito fechadas em si mesmas no Brasil. E com isso quero dizer que na base da sociedade voce não encontra nenhuma metodologia clara na forma de organizar as estruturas sociais, seja o modelo rígido do militarismo ou a coisa mais livre da universidade. No máximo alguma metodologia mais próxima aquela das instituições policiais, mas mesmo entre as instituições policiais você não encontra um padrão de metodologia muito claro na medida em que voce vai comparando pelo Brasil.

A universidade hipoteticamente se propõe a ser um espaço livre para pensar, mas qualquer um que conheça minimamente os meandros da política no ambiente acadêmico sabe que essa é uma perspectiva bem ilusória.

No contexto do militarismo você tem uma direção que parte de cima e chega até base. E ao longo da hierarquia você vai alocando recursos.  No mundo perfeito você conseguiria encaixar a universidade sob a hierarquia militar pra atender as demandas de tecnologia do militarismo. Daí você teria, uma estrutura social que é em princípio eficiente no que tange a inclusão.

O risco é sempre o de você acabar criando uma estrutura pouco inclusiva na base, mas que retorna muito poder ou dinheiro pra quem tá no topo. O ideal é que tenha um ciclo constante de renovação no topo...pra quem quiser ir além de Veneza, o artigo que indiquei, chega a uma análise de Roma. E até olhando historicamente o militarismo tem sido um bom canal pra gerar a renovação na burguesia...e muito do problema brasileiro é uma burguesia excessivamente estática.

O problema da universidade, é que a produção acadêmica brasileira não tem nenhum norte claro, ou não atende a nenhum objetivo específico de interesse nacional. Nesse contexto ela invariavelmente cai em falta de recursos, e baixa qualidade. Daí a minha perspectiva é que a demanda de tecnologia do militarismo pode servir como norte pra orientar essa pesquisa acadêmica...historicamente o militarismo brasileiro falhou em ser esse norte, na medida em que a alocação de recursos era uma coisa feitas nas coxas tipo de “bota dinheiro na engenharia” ao invés do “bota dinheiro pra resolver essa questão”.

A minha perspectiva é que a alocação de recursos na academia implementa no último ciclo militar foi idiota, e criou um sem fim de vícios sistêmicos... o ideal é que a alocação de recursos parta de uma questão mais geral que atenda a um interesse nacional. Em última instancia essa abordagem mais generalista vai ser gerar um ecossistema mais amplo de pesquisa.

Isso é até um ponto interessante porque quando voce olha a relação do militarismo pelo mundo, você vê que a área principal fica ali entre medicina, química e psicologia, e principalmente línguas estrangeiras pra operação de Intel externa. O peso da engenharia no Brasil, ainda remonta muito ao ufanismo desconexo da realidade e da discussão acadêmica que imperou no período militar. Então esse seria um ponto para se endereçar num próximo ciclo de instituições inclusivas.

O Brasil nunca teve uma revolução cientifica clara, quando você olha pelo mundo isso ocorre na medida em que há a introdução da prensa. E a partir disso começam a surgir os periódicos acadêmicos. No Brasil isso não aconteceu, tanto que figuras como o Roquette pinto, e qualquer outro acadêmico publicavam livros e não artigos. Então seria um ponto pra ser direcionado no desenvolvimento de instituições inclusivas.

Supondo que o modelo em que a academia se torna subserviente as demandas tecnológicas do militarismo funcione. Como você vai consolidar e manter esse know-how? Vai ser na forma de Big-Corps (GE, SIEMENS, Boeing, Bayer) , em várias empresas menores ou ainda você vai tentar manter esse know-how dentro das instituições militares e assim dentro do estado?

Aqui eu entendo que Know-how nada mais é do que a equipe que sabe fazer alguma coisa. Se você conseguir preservar equipe, ela vai gerar valor seja dentro de uma empresa ou dentro de uma instituição militar. E esse é um ponto pra entender a guerra fria, pq no modelo americano a equipe e o know-how emergem no ecossistema militarismo-universidade e depois pra fins de propaganda se consolidam numa empresa. No sistema soviético tudo fica dentro do militarismo, e no sistema alemão voce encontra mega corporações que absorvem essas equipes, sendo a Siemens o caso mais interessante. 

O destaque da Lockheed na foto, é porque esse perfil de corporation foi chave pra gerar trabalhos blue collar no pico de crescimento americano, que pagavam bem, e foram a base da "matrix" americana e do american dream. Mas modelos inclusivos que não dependam de 'empresas' são possíveis, acaba sendo uma questão de criatividade.

21 novembro 2021

Uma discussão de eugênia

Um tempo atrás eu vi discussão de AI, como fazer para que uma AI com autonomia não simplesmente se desligue e deixasse de existir? Tipo se a AI tem autonomia, e vai se desenvolvendo constantemente na medida em que processa novas informações, uma hora ela tende a concluir que a maximização da sua utilidade (bem microeconomia mesmo, com os retornos decrescentes) não aumentam mais depois de certo ponto, e assim sua máxima utilidade começa a residir em simplesmente se desligar.

Trazendo essa mesma discussão para a humanidade, o que é que faz as pessoas continuarem na mesma corrida dos ratos para o resto da vida? E aqui minha percepção, passando pela discussão econômica e experiências recentes... Em economia, se você se interessar pela discussão, você acaba viciado em entender o que você está fazendo, e quais os possíveis resultados de cada ação.  A realidade é que as pessoas não fazem isso, na média elas estão confinadas em suas realidades, e em quadros intensos de desigualdade socioeconômicas diferentes realidades não se cruzam e acabam confinadas em diferentes espaços físicos (as pessoas não se encontram), isso no nível mais básico...num segundo nível o set referencias que se carregam da formação pessoal é tão diverso que a troca é quase impossível.

Na média a pessoas está tão attached a sua situação, e sua realidade cotidiana, que elas nunca param pra pensar em como elas se encaixam no todo, e assim a corrida dos ratos vai se reinventando diariamente. Na média, quando a sociedade é minimamente eficiente as pessoas vão se ocupando da próxima necessidade imediata, e isso acaba até tocando no ponto que define o domínio do curto prazo sobre o longo prazo.

A dinâmica social, fazer parte de uma estrutura social na qual você é uma peça minimante relevante dá algum sentido de vida as pessoas, o suficiente para que elas nunca precisem olhar para o todo e perceber sua insignificância. O sentido da existência emerge das interações sociais. Ponto interessante é que essa não é uma característica exclusivamente humana, olhando para a natureza a figura do bando, e do animal social tá presente em várias espécies. Particularmente gosto do paralelo com Orcas...diferentes grupos sociais de orcas podem ter diferentes “línguas”, e o elemento linguístico na espécie humana acaba sendo a barreira mais instransponível para promover a plena integração economia e cultural entre os povos.


Falar em eugenia virou tabu, e na medida em que isso subsidiou tantas decisões questionáveis ao longo da história...é até razoável. Mas na medida em que o desafio da economia é projetar estruturas sociais que funcionem, e isso até transcendendo o capitalismo, entender a espécie e suas necessidades é um elemento vital.

Ponto interessante é que o capitalismo como o conhecemos hoje, é uma realidade muito recente. Por muito tempo a religião ocupou o papel hoje ocupado pelo dinheiro de ser algo em que as pessoas pudessem acreditar para ter algum sentido de vida. E nessa linha toda a dinâmica de guerras santas passa a ter outro significado.

16 novembro 2021

A dinâmica humano-animal na periferia capitalista.


How to Rule in the Islamic World - YouTube --sintése de Ibn Khaldun

Em termos práticos, o fascinante na discussão mais Ibn Khaldun é como o dinheiro é um fator secundário. E mesmo na discussão mais avançada de desigualdade esse aspecto também aparece. Dinheiro é uma proxy social, nada mais que isso, não é como se as relações sociais representadas pelo dinheiro fossem deixar de existir na ausência deste. Na medida  em que uma sociedade é dividida em relações sociais com bases muito diversas(escola),  e tudo que importa na construção do capital financeiro é social, a desigualdade se torna um elemento insuperável.

É interessante porque o Ibn Khaldun análisa a estrutura de um reino, onde o dinheiro é um elemento...em certa medida totalmente secundário, e o poder emerge das relações sociais. Em tese o capitalismo deveria apresentar uma dinâmica próxima das leis de Darwin, mas em casos de economias primárias, o ganho financeiro tem muito pouca, ou nenhuma relação com a efetiva produtividade financeira das relações sociais.

Em geral um artista que consiga cativar multidões vai ganhar muito mais que um banqueiro, e aqui no que tange a cativar multidões na dimensão estritamente cientifica, esse cativar se explicar muito mais por uma discussão bio-eugenica do que econômica.

A economia, e o capitalismo como um todo refletem o desejo humano de superar o estado animal. Mas numa sociedade guiada pelos instintos animais mais básicos tal qual sociedades primárias, isso dificilmente vai ter algum êxito.

As pessoas se guiarão mais pela capacidade de cativar das outras do que pelo efetivo retorno financeiro, que a outra pode oferecer. Geralmente o “cativar” irá remeter ao instinto de reprodução, e em certa medida isso vai explicar o papel secundário, mas ao mesmo tempo central que as mulheres assumem na sociedade.

De modo geral o fato simples na forma da forma da animalidade humana é imutável. E não deixa de ser interessante pensar em como a suposta racionalidade dominante na microeconomia é mais uma ambição animal do que uma realidade na dinâmica das economias primárias onde o único efetivo canal de transição social são as relações afetivas/românticas.

Na medida em que diferentes formações de individuo tornam a troca social humana basicamente impossível, o instinto de reprodução entra em ação, e as interações sociais que efetivamente permitem a transição social são guiadas pelo desejo sexual.

O Ibn Khaldun vai focar na dimensão de coesão social, no caso brasileiro a coesão social inexiste quando olhamos para a base da sociedade. Em geral as pessoas partem de formações sociais muito distintas, o mito social comum é uma ilusão distante, e acho que aqui eu to tentando discutir como a explicação de desigualdade social através de coesão social reflete mais uma análise de comportamento animal da espécie humana do que qualquer variável econômica.

Em geral os agentes ao fim do ciclo de formação vão ter formações tão diversas, que a troca  no âmbito social se torna praticamente impossível, se não pelo canal do desejo sexual entre as diferentes camadas da sociedade. Pensado no reino de Ibn Khaldun podemos imaginar uma mulher que se constrói socialmente através das relações sexuais com figuras do poder, no capitalismo e no pseudocapitalismo das perfieferias a mesma relação segue existindo. Agora não temos mais um reino, mais uma classe dominante geralmente concentrada numa vizinha. Pensando no Rio de Janeiro pode ser o Leblon. Em termos práticos, o fascinante na discussão mais Ibn Khaldun é como o dinheiro é um fator secundário. E mesmo na discussão mais avançada de desigualdade esse aspecto também aparece. Dinheiro é uma proxy social, nada mais que isso, não é como se as relações sociais representadas pelo dinheiro fossem deixar de existir na ausência deste. Na medida  em que uma sociedade é dividida em relações sociais com bases muito diversas(escola),  e tudo que importa na construção e capital financeiro é social, a desigualdade se torna um elemento insuperável.

É interessante porque o Ibn Khaldun análisa a estrutura de um reino, onde o dinheiro é um elemento...em certa medida totalmente secundário, e o poder emerge das relações sociais. Em tese o capitalismo deveria apresentar uma dinâmica próxima das leis de Darwin, mas em casos de economias primárias, o ganho financeiro tem muito pouca, ou nenhuma relação com a efetiva produtividade financeira das relações sociais.

Em geral um artista que consiga cativar multidões vai ganhar muito mais que um banqueiro, e aqui no que tange a cativar multidões na dimensão estritamente cientifica, esse cativar se explicar muito mais por uma discussão bio-eugenica do que econômica. As pessoas desejam as outras, seja um politico que cativa relações superficiais com toda uma cidade, ou na figura do desejo sexual pela mulher.

A economia, e o capitalismo como um todo refletem o desejo humano de superar o estado animal. Mas numa sociedade guiada pelos instintos animais mais básicos tal qual sociedades primárias, isso dificilmente vai ter algum êxito.

As pessoas se guiarão mais pela capacidade cativar das outras do que pelo efetivo retorno financeiro, que a outra pode oferecer. Geralmente o “cativar” irá remeter ao instinto de reprodução, e em certa medida isso vai explicar o papel secundário, mas ao mesmo tempo central que as mulheres assumem na sociedade.

De modo geral o fato simples na forma da forma da animalidade humana é imutável:Os grupos comportamentais se mantém no poder, através do dominio de uma dinâmica social comum ao grupo.E não deixa de ser interessante pensar em como a suposta racionalidade dominante na microeconomia é mais uma ambição animal do que uma realidade na dinâmica das economias primárias onde o único efetivo canal de transição social são as relações afetivas/românticas.

Na medida em que diferentes formações de individuo tornam a troca social humana basicamente impossível, o instinto de reprodução entra em ação, e as interações sociais que efetivamente permitem a transição social são guiadas pelo desejo sexual.

O Ibn Khaldun vai focar na dimensão de coesão social, no caso brasileiro a coesão social inexiste quando olhamos para a base da sociedade. Em geral as pessoas partem de formações sociais muito distintas, acho que aqui eu to tentando discutir como a explicação de desigualdade social através de coesão social reflete mais uma análise de comportamento animal da espécie humana do que qualquer variável econômica.

Em geral os agentes ao fim do ciclo de formação vão ter formações tão diversas, que a troca  no âmbito social se torna praticamente impossível, se não pelo canal do desejo sexual entre as diferentes camadas da sociedade. Pensado no reino de Ibn Khaldun podemos imaginar uma mulher que se constrói socialmente através das relações sexuais com figuras do poder, no capitalismo e no pseudocapitalismo das periferias a mesma relação segue existindo. Agora não temos mais um reino, mais uma classe dominante geralmente concentrada numa vizinhança. Pensando no Rio de Janeiro pode ser o Leblon.

Cada vez mais me convenço que Marx é bullshit e a desigualdade apenas poderá ser explicada na discussão biológica eugenista e na discussão social de Ibn Khaldun, ou qualquer coisa que dê o acknowledge de que dinheiro é mera proxy pra relações sociais que vão existir de qualquer forma.

Parando pra pensar qual diferença entre a discussão social, e a comportamental animal? Falar em social ao invés de comportamental é mero detalhe que nos permite ignorar a essência animal da espécie humana.

Ponto interessante é que falar em dinâmica comportamental parece distante da conversa cotidiana, mas isso é na verdade a mesma coisa que duas pessoas com referências muito diferentes, a tal nível que a conversa se torna impossível.

16 outubro 2021

The tissue of social relations in Brazil and economic complexity


 I often miss meeting people with an inner world. They are out there, but even as you get through them it’s usually hard to dive into their inner world.  There’s some magic to happen when this kind of people can put the whole world into their inner world, artists are great at doing that. But most of the time people like that just end up trying to fit in some fucked up reality. Brazil itself has a structure where peoples personality is usually built through other eyes, money is made through social relations, and there’s a lack of thinking in Brazilian economic structure. If someone gets rich, it probably was through some kind of “buy and sell” stuff. So social relations usually don’t tend to move towards economic complexity, with the building of ideas and thinking as a product.

Kind of interesting, how I get the feeling that the main problem in Brazil is in the tissue of social relations, where most of the human relations are meaningless, guided only by social animal instincts. If there ain’t complexity, thought building on the human relations itself, it seems out of touch with reality to expect that some economic complexity will grow out of nowhere.

I’m far from being a eugenics (which is a discussion that has been growing again, around CRISPR tech) guy, but the reality is that there’s not much, so if people don’t create anything, there will never be anything. Not saying that we will end up going back into the caves, but if human relations are not guided towards the building of collective thinking things won’t go anywhere.

And lately, I get to be fascinated, but how the main difficulty on organizations is precisely on the matter of doing things in a group. Someone can always do the whole planning alone, and on simple commercial activities that is usually the case, but the building of complex thought in-group/companies that would be the base for economic complexity seems somewhat harder.

Brazil faces a lack of asabiyyah/social cohesion (on the Ibn Khaldun concept).

Those are just some initial thoughts, but maybe there are some insights from Yuval Noah Harari that could be applied to the building of economic complexity. The whole Peugeot thing being one of the most interesting ones.


17 agosto 2021

Dinâmicas do Oriente médio e Afeganistão

 O ano é 2021 e o Afeganistão reaparece no noticiário, a última vez que se fez menção a tal país foi ainda no pós 2001, uma menção tão secundária que ainda nos dias de hoje a distinção entre Iraq e Afeghnistan não é clara para muita gente.

Numa recapitulação dos eventos.

Após a queda das torres gêmeas os EUA se engajaram em dois países na região do oriente médio/ásia central.

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No Iraq o objetivo é derrubar Saddam Hussein, numa operação de inteligência que ficou famosa por não ser muito eficiente. Já que a tese na qual a operação se baseou, era relativa à existência de armas químicas, que já não existiam mais no momento da invasão. No Afeganistão o objetivo era controlar a Al-Qaeda, que tinha uma ligação histórica com a região remontando as guerras com a União Soviética.

Como os EUA sabia das armas químicas?

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Anos antes, esses dois países estavam em guerra, como o Iran já era um problema antigo dos EUA remontando a revolução, os EUA suportaram o Iraq nessa guerra, daí até hoje se acusa os EUA de terem fornecido a tecnologia de armas químicas para o Iraq (é uma especulação frequente nesse tópico).

Na real eram empresas alemãs, mas pelas dinâmicas internas da Alemanha do pós-segunda guerra é dificil apontar com clareza qual o set de interesses no forncecimento de Gás mostarda (entre outros itens) pro Iraq nesse periodo.

Iran pursues German companies that gave Saddam Hussein chemical weapons – People's World (peoplesworld.org)


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Iranian Revolution - Wikipedia

Iran hostage crisis - Wikipedia

Iran–Iraq War - Wikipedia

Ponto interessante para entender as dinâmicas da região, e superar a ideia de que é tudo por causa de petróleo...é entender que as pessoas acreditam na religião, e a legitimidade das figuras monárquicas da região emerge desse elemento teocrático.

Assim dá pra começar a entender que, sim, as motivações ocidentais são principalmente petróleo e contratos militares trilionários, mas na média as pessoas acreditam bastante naquilo pelo qual estão se dispondo a morrer. E essa é uma questão que se perde fácil, fácil em qualquer approach midiático, sobre a região, seja falando sobre o Hamas,  Fatah e agora sobre o Taliban.

Já chegando na questão Afghan, o seguinte trecho dá uma dimensão da construção de legitimidade na região.

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Se a região já é complicada, o Afghanistan em si é ainda repleto de peculiaridades. 

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Ao Norte os soviéticos, a oeste o Iran (epicentro Shia), ao sul o Pakistan que geralmente serve de proxy para a Saudi Arabia (epicentro Sunni). E mais recentemente a China se tornando um outro epicentro de poder.

Tem vários modos de explicar essa questão Shia-Sunni. Em termos de história Islâmica, o Islã começa na península arábica, num momento que o atual Irã, antiga Pérsia, ainda seguia a tradição zoroastra.

As cidades sagradas islâmicas são no KSA (Kingdom of Saudi Arabia), e esse elemento junto com o suporte financeiro que Riyadh oferece para a região, concede legitimidade a liderança que o KSA exerce no mundo islâmico. [Um ponto é que na época não existiam as fronteiras de hoje, daí emerge a importância de Jerusalém...teorias mais recentes, e não muito aceitas também atribuem uma razoável importância a cidade de Petra na Jordânia].

Texto, Carta

Descrição gerada automaticamenteTabela

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Calling Iranians “Descendants of the Magi” Is Actually a Compliment – LobeLog

Ainda tem uma infinidade de tópicos possíveis de serem abordados,mas acho interessante entrar na questão Afghan logo.

Qualquer apresentação sobre o Afghan invariavelmente caí na questão do terreno, é uma região naturalmente dividida por montanhas que até 2001 praticamente não tinha estradas, durante a ocupação se fez um esforço, no sentido de resolver isso.  Contudo, na tática de guerrilha que impera entre as tribos da região, destruir e controlar essas poucas estradas é uma peça central na estratégia de controle das populações.

Outro ponto a se considerar é que a região é repleta cavernas, e o conhecimento desses sistemas era uma vantagem operacional absurda nessa técnica de guerrilha, e ainda é eficiente quando pensamos que cavernas são também proteções contra ataques de drone, que tem sido um operacional bastante utilizado nos últimos tempos entre as operações ocidentais.

Why Afghanistan Is Impossible to Conquer - YouTube

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É interessante observar como essa distribuição das tribos transgride fronteiras. O Taliban é majoritariamente Pashtun, seguindo uma linha Sunni numa linha Wahhabism - Wikipedia que vai em direção ao ultraconservadorismo. Esse approach já causou um enfraquecimento no suporte ao grupo no passado.

Muito da identidade das tribos Afghans gira ao redor da figura do guerreiro, defendendo a região contra invasores. É difícil falar numa identidade nacional Afghan com alguma uniformidade, geralmente a identidade está mais associada ao grupo tribal. Ponto interessante é que essa é uma peculiaridade Afghan, na medida em que as dinâmicas de identidade nacional são razoavelmente consolidadas na região ao redor das histórias de grandes líderes e impérios. O problema é que no caso Afegão, em boa parte da narrativa histórica eles estão resistindo a alguma dominação, e essa resistência acontece mais na forma do guerreiro tribal do que através de alguma estrutura de  estado nação. 

Texto

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Esse trecho realça um pouco uma outra dinâmica peculiar do Afghanistan, que é essa interação de uma dinâmica de guerreiro tribal com a religião. No caso Afegão, esses são eventos históricos ainda muito recentes, mesmo quando comparados aos outros países da região.

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Texto

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Analyses - Madrassas | PBS - Saudi Time Bomb? | FRONTLINE | PBS

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Um ponto interessante pensando nessa dinâmica de colaboração da sociedade Afghan com o Taliban, é que mesmo sendo incerto quanto dessa colaboração é na verdade coerção; o Taliban se mostra como um grupo que já tem uma estrutura organizacional que lhe permite exercer controle sobre a sociedade. E o próprio exercício desse poder, foi elemento central no que tange a impedir que o governo de Kabul atingisse alguma legitimidade interna, isso enquanto perdia legitimidade diante da comunidade internacional.

No geral dá para continuar a mapear o Afeganistão e o Taliban, em várias dimensões ainda, no caso vou me limitar a indicar esse artigo 

Taliban:An organizational analisys

Taliban:An organizational analisys+Destaques (Com meus destaques)

No mais:


  • A consolidação do poder não vai ser um processo óbvio, vai depender muito do Taliban conseguir manter alguma coesão entre as células da base (ver o texto).



  • O Taliban é um fenômeno de um grupo de tribos que domina boa parte região, mas há outras tribos, com diferentes estruturas linguísticas e sociais, e todas armadas, então esse é um outro canal possível para surgir uma insurreição


  • ““Afghanistan is like a weapons depot,” he said. “There is no shortage of guns. Every household has them. Some are old AK-47s that people hid away from the last wars, others are more recent.”” Ref


  • No geral o sucesso/fracasso deste governo vai depender de como ele vai se equilibrar entre os centros poder do Muslim World (KSA e Iran). Apesar da atenção que Índia, Rússia e China têm ganhando nessa cobertura midiática, os únicos países com uma clara agenda para a região são KSA e Iran; geralmente essa agenda é executada através de proxyes. Bitter Rivals: Iran and Saudi Arabia, Part One (full film) | FRONTLINE - YouTube

  • Sobre a postura dos EUA, é razoável: O Afeganistão vinha sendo mais uma questão do UK+NATO, e principalmente depois da captura do Osama Bin Laden vinha sendo só mais questão de manutenção de statusquo. Fora que a saída dos EUA atende a um set de interesses regional, que pode favorece a retomada do acordo nuclear com o Iran.


Dica de Filme:

Zona Verde (2010) - IMDb

Vice (2018) - IMDb

Jogo de Poder (2010) - IMDb

Os três abordam diferentes ângulos da mesma história, e são bem complementares

17 julho 2021

Deixando de ser refém do noticiário



Elemento comum a qualquer pessoa viva na atualidade: acompanhar o noticiário. Mas como acompanhar o noticiário sem se tornar refém do fluxo de notícias? Um primeiro ponto para se ter em mente é que as notícias se tornam públicas, e passam a integrar o noticiário, na medida em que são apuradas. Então um primeiro passo para deixar de ser refém do noticiário é começar a entender qual o conhecimento as peças que aparecem esporadicamente no noticiário estão desenhando/formando. A partir desse desenvolvimento, quando as peças do noticiário, se tornam partes de um saber, o indivíduo ganha a possibilidade de antever os próximos desencadeamentos do noticiário.  


Soa abstrato, mas é até que bastante simples. Agora mesmo o noticiário está repleto de discussões e notícias sobre a falta de chuvas e o risco de crise energética. Para começar a antever os próximos desenvolvimentos na questão, e deixar de ser refém do fluxo de apuração do noticiário; o próximo passo natural é entender como funciona a geração de energia elétrica no Brasil, e em termos prático: quão expostos ao risco estamos?  


Construído o entendimento geral do sistema, eu particularmente, começo a procurar como os pequenos detalhes se encaixam nessa lógica geral. Em termos de metodologia cientifica/empirista, isso seria dedução, já que partimos de lógica geral para só então olhar os detalhes.  A indução seria o caminho inverso, na medida em que parte dos detalhes; no que tange a antever as discussões no noticiário não creio que seja uma metodologia eficiente. 


Dificilmente você vai conseguir encontrar qualquer coisa, enquanto busca por complexidade. Então busque por coisas idiotas e simples. Qualquer especialista dando entrevista, tende a estar mais preocupado com o próprio ego, do que com a informação sendo transmitida. Tendo isso em mente, ele enfoca na complexidade da informação sendo transmitida. No mundo real, em se tratando de fenômenos humano-sociais, dificilmente complexidade é útil pra explicar muita coisa. 


Quer ver um exemplo: Da pseudociência idolatrada por financistas, a análise técnica o que funciona melhor é o simples, justamente porque é a primeira coisa que as pessoas buscam institivamente. É a diferença de você procurar um livro secreto de análise técnica, que pouquíssimas pessoas conhecem, ou comprar o mais popular pra entender o que as pessoas vão estar procurando, baseado na metodologia do livro. Em última instância, você não está mais procurando pela “análise técnica”, mas sim como as pessoas que leram aquele livro vão construir um racional sobre o que está acontecendo no mercado. Em outras palavras como “pensam” os leitores desse livro, e como o conteúdo apresentado no texto influencia o seu decisionmaking? 


É hipotético, porque eu nem acho que exista um manual dominante em análise técnica. 


Mesmo no caso de algo como energia, teoricamente mais hardscience, é mais provável que falhas operacionais aconteçam porque duas pessoas não se gostam (um problema social de comunicação), do que por alguma complexidade técnica. 


 Então é sempre preferível buscar a simplicidade onde ninguém está olhando, do que um detalhe da complexidade para onde todos estão olhando. Isso no âmbito de fenômenos sociais estritamente humanos. 

Ainda na dinâmica de simplicidade ou complexidade. Entre especialistas, acadêmicos ou de mercado, o natural é uma busca cega pela complexidade...uma questão de ego..., mas bem verdade é que a construção de complexidade só deveria responder a demanda. Por exemplo: Eu tenho a teoria atômica da Grécia antiga, e todas as discussões atômicas da físico-química moderna. Mas a físico-química moderna responde a uma demanda moderna da geração de energia nuclear e da bomba atômica. E na maioria dos casos não científicos a complexidade é dispensável.  


No que tange a antever o noticiário, provavelmente o melhor seria uma busca bem seletiva por complexidade, partindo de um entendimento geral simples. 


Sobre apresentar alguma conclusão: é sempre interessante se limitar ao “explain like i'm five”, claro que diferentes audiências vão apresentar diferentes demandas por resposta; mas a dinâmica do “explain like i'm five” é útil na conquista da audiência e no processo de conduzir essa audiência a perguntas mais complexas. Claro que conhecer o interlocutor facilita no ajuste da oferta de complexidade, mas no mundo real é interessante ver como nomes conhecidos da economia, enquanto eulirico, são quase irreconhecíveis quando comparamos seus bestsellers com seus artigos científicos de periódico.